Não precisei escolher entre ser CEO ou programar — a IA resolveu isso

2 de Abr de 2026
Não precisei escolher entre ser CEO ou programar — a IA resolveu isso

Inteligência artificial elimina barreiras operacionais e permite que líderes retomem o contato com a construção do produto

Outro dia passei a madrugada migrando bibliotecas em múltiplas bases de código. Trabalho repetitivo, monótono. Tinha gente no time que poderia ter feito.

Mas eu entendia a importância dessa migração para o todo, a eficiência que ganharíamos, e, ao mesmo tempo todo o time estava focado em uma frente em paralelo que também tem data. Sentei, assumi, e estou bem com isso.

Todo founder técnico se vê longe do time de tecnologia em algum momento. Investidores, clientes grandes, contratações, board meetings. O dia fica curto. O código vai ficando para trás.

É quase um rito de passagem: você cresce como executivo e perde o contato com a matéria-prima que fez e faz a empresa existir. Seu contato passa a ser no desenho de produto, se for.

Eu passei por isso também. Não porque quis, mas porque não tinha como conciliar. Ser CEO consome tempo de uma forma que não negocia.

O ponto de virada: quando a IA entra no fluxo

O que mudou foi inteligência artificial.

Não a promessa genérica. O que mudou na prática: agentes que revisam código, analisam logs de produção, comparam documentação com implementação. Tarefas que tomavam um dia de um engenheiro sênior, uma revisão que tomava uma sprint do time de produtos, agora são “resolvidas” em uma hora.

A ferramenta cuida da mecânica. E eu entro com o julgamento, com o “taste”, com o olhar de negócio, de receita, de produto. Com a visão de arquitetura para o que está além dos 10 anos de empresa.

Isso eliminou a questão do tempo. Hoje, consigo revisar, contribuir com código, estar perto da arquitetura, desenhar produto, puxar o time para uma frente, ou outra e, ao mesmo tempo, lidar com as responsabilidades de CEO. Não é uma escolha entre um e outro. Dá para fazer os dois.

CEOs voltaram a construir

E não sou só eu sentindo isso.

Tobi Lütke, fundador da Shopify, fez 94 commits em 2024. Em 2025 foram 833. Nos primeiros 45 dias de 2026, já passou de 950. Jack Dorsey construiu um app novo do zero como projeto de fim de semana, usando a ferramenta de AI que a própria Block desenvolveu. O GitHub de founders técnicos está acendendo de novo.

Isso é um padrão. Founders que passaram anos em modo executivo estão voltando a construir. Não porque pararam de ser CEOs. Porque agora conseguem ser CEOs e builders ao mesmo tempo. E sinceramente, o que você acha que nos diverte, nos coloca em “flow”, nos alimenta mais? É natural. E poucos têm coragem de dizer.

Funciona porque quem já tem bagagem sabe o que perguntar e sabe quando a resposta está errada. O contexto é o que faz a diferença entre usar AI como muleta e usar AI como alavanca.

Não toco em tudo. Seria impossível. Mas nos momentos que importam — migração crítica, decisão que afeta a arquitetura inteira, uma mão a mais para alcançarmos o prazo, aquele 0 ao 1 de um produto crítico — eu sento e ajudo o time. Falando a mesma língua. Olhando coisas que o time às vezes não consegue ver, porque falta bagagem de produto ou de negócio.

Estar perto do código é estar perto da matéria-prima. É entender restrições reais, não interpretações. E com as ferramentas certas, isso deixou de ser um luxo que o founder abre mão quando a empresa cresce.

Até quando pretendo programar? Enquanto eu sentir que isso me torna um CEO melhor.

Por enquanto, sinto.